Ao mesmo tempo, a maioria das ferramentas de planejamento em uso atualmente ainda funciona com dados determinísticos, produzindo um único resultado para cada atividade. Pensar no sistema de forma holística, entender um processo como um todo, significa compreender sua capacidade, suas limitações e sua variabilidade, o que por sua vez permite que as mineradoras definam metas na forma de intervalos, em vez de pontos fixos.
Isso levanta uma questão importante para o planejamento tático e de longo prazo: se o desempenho é inerentemente variável, os cronogramas também devem refletir essa variação?
As operações de mineração coletam continuamente dados de produção para fins de geração de relatórios. Os engenheiros de planejamento podem usar esses dados para construir distribuições de probabilidade no tocante à disponibilidade, utilização e duração das tarefas, criando uma oportunidade para melhorar nossa compreensão e comunicação de riscos. Antes de entrar nos detalhes da construção dessas distribuições, vale a pena perguntar: por que mesmo devemos planejar a variação?
O planejamento de variações nos cronogramas nos permite tomar decisões embasadas sobre riscos e oportunidades. Executar centenas de cenários probabilísticos pode revelar quais tarefas representam o maior risco, onde o cronograma é mais sensível e onde podemos investir mais tempo com segurança.
A análise de dados de produção oferece a oportunidade de distinguir entre sinais significativos e ruído de fundo. Em vez de reagir às oscilações no desempenho diário, podemos tomar decisões com confiança estatística, garantindo que permaneçamos focados em objetivos de longo prazo, em vez de dar muita atenção a variações normais e esperadas.
Os engenheiros podem construir distribuições de probabilidade para gerar informações sobre variáveis-chave do cronograma: taxa de produção de perfuratrizes jumbo, disponibilidade de equipamentos, utilização e taxas de produção. Essa variação nas taxas e durações nos permite modelar uma gama de resultados possíveis, passando da suposição de um único caminho determinístico para a compreensão de uma variedade de resultados prováveis.
Uma vez estabelecidas as distribuições, elas podem ser inseridas na ferramenta “Variations” (variações) do Deswik Planning para começar a avaliar cenários para nossos planos de mineração. Centenas ou milhares de cenários podem ser executados na ferramenta “Variations”, e ferramentas como o Microsoft Power BI podem ser usadas para agregar os resultados e converter as saídas brutas em insights de planejamento.
Na figura 2, podemos ver que os períodos de 2026 a 2028 apresentam valores máximos e mínimos relativamente restritos, enquanto 2029 e 2030 são muito mais sensíveis à utilização. Ferramentas como o Power BI permitem isolar esses cenários e analisá-los mais a fundo.
A avaliação dos cenários gerados pela ferramenta “Variations” ajuda a identificar quais tarefas aparecem consistentemente no caminho crítico. Essas informações são essenciais para orientar as prioridades de planejamento. Elas permitem que os engenheiros concentrem recursos nas atividades mais críticas para o sucesso do plano. Por outro lado, o planejamento determinístico fornece apenas um único ponto de referência para nosso caminho crítico, um ponto que pode mudar devido à variabilidade normal da produção.
Os cenários agregados podem ser avaliados para acompanhar as principais tarefas dentro de cada cenário, a fim de gerar um intervalo de confiança. O gráfico acima mostra uma grande diferença na data de partida entre P25 (o ponto em que 25% dos resultados terminam mais cedo) e P80 (o ponto em que 80% dos resultados terminam mais cedo), destacando o risco presente em nossos cenários. Isso permite ao planejador avaliar a cadeia de tarefas que levam ao silo de minério e planejar contingências e compensações para reduzir a lacuna.
Incluir a variação inerente ao planejamento de minas melhora a comunicação com as partes interessadas e gera um planejamento e uma tomada de decisão mais resilientes, ajudando as equipes a elaborar cronogramas que reflitam melhor a realidade da mineração.
Você inclui probabilidades em seus planos de lavra? Deixe um comentário abaixo explicando como você está aplicando isso e se está utilizando a ferramenta “Variations” da Deswik, incluída no Deswik Planning.
O livro “Understanding Variation: The Key to Managing Chaos” (entendendo a variação: o segredo para gerenciar o caos) de Donald J. Wheeler é um excelente recurso no mundo da variação e oferece uma visão excepcional sobre o uso de variações para gerenciar a imprevisibilidade e o risco. Ele oferece exemplos práticos de como analisar e interpretar a variação em diferentes contextos de negócios.
